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Em Português Correcto

Blog interactivo onde se pretende dar resposta a questões sobre o português falado e/ ou escrito

Quando se deve e não se deve usar a vírgula? - 1

 Ultimamente tenho recebido muitas mensagens via correio eletrónico com questões relativas ao uso da pontuação, e em especial, o uso da vírgula. Assim irei dedicar vários artigos às regras que dizem respeito à utilização desse pequeno, mas tão importante sinal de pontuação. Em cada artigo iremos ver duas regras.

 

1 - A vírgula é obrigatória quando fazemos uma enumeração de coisas ou de ações (como por exemplo uma lista de compras), para separar os vários elementos, desde que não usemos as conjunções e, ou nem (a não ser que estas se repitam).

 

Exemplos:

- Gosto de viajar, de dar longos passeios na praia, de cantar e de dançar.

- Ouvi nitidamente gritos, o choro de uma criança, uma porta a bater e o lamento de uma mulher.

- Nem a chuva, nem o vento, nem a tempestade mais violenta, nem a neve me impedirão de ir ter contigo.

 

Assim, segundo esta regra, não podemos usar vírgula quando usamos a conjunção "e". Por isso, está erradamente pontuada a seguinte frase:

 

- Ele estava muito perturbado com aquela situação, e não queria dar parte de fraco.

 

2 - A vírgula é obrigatória para separar o vocativo (entidade à qual nos dirigimos), mas não se pode usar para separar o sujeito do predicado (verbo).

 

É frequente encontrarmos erros no uso das vírgulas por se confundirem estas duas situações, principalmente quando o sujeito ou o vocativo são representados por nomes próprios. Vejamos a diferença com estes exemplos:

 

a) Maria, vai chamar o teu irmão!

b) A Maria vai chamar o irmão.

 

Na frase a) usámos a vírgula porque Maria não é o sujeito, mas o vocativo. O sujeito (tu) está subentendido porque o verbo se encontra no imperativo. Já na frase b) não podemos usar a vírgula porque a Maria é o sujeito do verbo ("vai"). É ela que realiza a ação e não se trata de uma ordem que lhe é dada.

Se tivermos dúvidas quanto à identificação de vocativo/ sujeito basta-nos pensar que o vocativo é móvel, isto é, pode ser colocado no início, no meio ou no fim da frase, sempre separado por vírgulas. Já o sujeito, embora possa surgir noutra posição na frase, quando o deslocamos, muitas vezes sentimos que a ordem da frase não é a mais correta e nunca podemos colocar a vírgula. Vejamos esta ideia em prática:

 

a) Maria, vai chamar o teu irmão!

Vai chamar o teu irmão, Maria!

Vai, Maria, chamar o teu irmão!

 

b) A Maria vai chamar o irmão.

Vai chamar o irmão a Maria.*

Vai a Maria chamar o irmão.

 

Entenderam estas regras? Proponho-vos então que nos comentários, via correio eletrónico ou através do Facebook, me expliquem porque é que a frase seguinte está incorretamente pontuada:

 

Christiane, nasceu em 1965 na Alemanha, e é tradutora.

 

Fico à espera das vossas respostas...

 

imagem retirada daqui: https://esquadraodoconhecimento.files.wordpress.com/2011/12/vc3adrgula.png?w=240&h=300

Esclarecimentos e novidades

Quando em 2006 iniciei este blogue (noutro endereço e com outro título) nunca imaginei que despertaria o interesse de tantas pessoas, nem que teria um alcance mundial, sendo lido em locais distantes como o Japão. Consciente de que este espaço é visitado por mais de 1000 pessoas por dia, senti que já era tempo de dirigir algumas palavras aos interessados leitores.

Em primeiro lugar, considero que é importante dar-vos algumas informações sobre a responsável por este blogue. Chamo-me Paula Nogueira, sou portuguesa e professora de Português. Sou licenciada em ensino de Português e Francês e mestre em ensino de Português e Espanhol. O meu gosto pelo ensino esteve sempre ligado a uma paixão muito maior: a de aprender. E, consciente de que não sei nem nunca saberei tudo, decidi criar este espaço para partilhar as minhas dúvidas, as minhas descobertas e as minhas observações relativamente ao uso da língua portuguesa. Os erros mais frequentes que encontrava nos trabalhos escritos dos meus alunos foram o ponto de partida para a redação de alguns artigos, mas a paixão de ensinar levou-me a desejar que este fosse um espaço para todos os que quisessem aprender e, humildemente, coloquei os meus serviços à disposição de quem o desejasse. Contudo, como já devem ter reparado, nem sempre este espaço foi atualizado de forma sistemática e, também nem sempre, consegui atempadamente dar resposta às perguntas que me foram colocando via correio eletrónico. Estes factos estiveram relacionados com os momentos em que estive mais ocupada profissionalmente. E devo confessar que, infelizmente para mim, as alturas de maior proliferação deste blogue coincidiram com os períodos em que não obtive colocação como professora ou apenas um horário parcial. Assim, quero pedir desculpa a quem me escreveu e não obteve resposta e a quem visita regularmente este espaço e não encontrou nenhuma atualização.

Em segundo lugar, também queria esclarecer que adotei o Acordo Ortográfico de 1990, pois sendo este um espaço visitado pela comunidade estudantil e tendo o Ministério da Educação tornado obrigatório o seu uso, considero que era uma obrigação minha aplicá-lo nos meus artigos. Contudo, ressalvo que alguns artigos mais antigos ainda não estão atualizados. Estou a revê-los e a reformulá-los, mas como são mais de 250, esta é uma tarefa que ainda vai levar algum tempo.

Em terceiro lugar, quero relembrar que os comentários são moderados por mim. Esta opção deveu-se a, infelizmente, nem todas as pessoas fazerem uso deste espaço com educação. Não censuro comentários com erros ortográficos ou de outra natureza e agradeço aqueles que me têm chamado à atenção para algumas falhas da minha parte.

Por último, quero anunciar-vos que, depois da criação da página de Facebook (https://www.facebook.com/pages/Em-Portugu%C3%AAs-Correto/136377876542069), que já ultrapassou os 1300 fãs, podem ficar a par das novidades do blogue através do twitter (@port_correcto) e através do vosso email, bastando subscrever o serviço de notícias (newsletter) que encontram no separador da direita. Claro que também podem continuar a enviar dúvidas através do endereço portuguescorrecto@gmail.com, que procurarei responder com a maior brevidade possível.

Obrigada pelas vossas visitas e continuem a interessar-se por escrever e falar em português correto.

Descriminação ou Discriminação?

 Tendo em conta que esta imagem foi utilizada numa campanha de combate ao racismo, qual é a frase correta?

a) Esta imagem foi usada numa campanha contra a discriminação racial.

b) Esta imagem foi usada numa campanha contra a descriminação racial.

 

A frase correta é a a).

Discriminação, segundo o dicionário Priberam, corresponde a:

"1. Ato ou efeito de discriminar (ex.: o exercício envolve discriminação visual). = DISTINÇÃO

2. Ato de colocar algo ou alguém de parte.

3. Tratamento desigual ou injusto dado a uma pessoa ou grupo, com base em preconceitos de alguma ordem, nomeadamente sexual, religioso, étnico, etc."

 

Exemplo: Ninguém deve ser alvo de discriminação devido à sua cor da pele.

 
descriminação, segundo a mesma fonte, diz respeito ao ato de descriminar, isto é, tirar a culpa, descriminalizar.
 
Exemplo: Aquele partido defendeu a descriminação do aborto.
 
 
Fontes:
http://www.priberam.pt/DLPO/discriminar
http://www.priberam.pt/dlpo/descrimina%C3%A7%C3%A3o
http://4.bp.blogspot.com/-vh4uELd6IwU/TgRUHRbWI9I/AAAAAAAAAAQ/qhJScRQypDg/s320/racismo.jpg
 

Pneu sobressalente ou pneu sobresselente

 

 - Os automóveis devem trazer sempre um pneu sobressalente.

 
A frase está correta?
 
A resposta é afirmativa porque as formas “sobressalente” e “sobresselente” são ambas corretas em língua portuguesa. A diferença está no facto de em Portugal se usar a palavra “sobresselente” e no Brasil se usar “sobressalente”. 
Segundo o Dicionário Eletrónico Houaiss, "sobresselente" ou "sobressalente" designa aquilo «que ou o que sobressai ou sobeja»; «que ou o que está a mais e é próprio para suprir faltas»; e, ainda, «que se tem de reserva para substituir outro avariado ou gasto pelo uso (diz-se de acessório ou peça)». Neste contexto, podemos referirmo-nos portanto a "pneu sobresselente" ou a "pneu sobressalente" quando mencionamos o pneu extra que os carros possuem para procedermos à substituição de um dos quatro principais, independentemente deste se encontrar colocado na retaguarda do veículo, como vemos na foto do carro honda, ou na mala do carro, ou ainda noutro local do automóvel consoante a marca e o modelo do veículo.
Assim, apesar de em Portugal ser mais usual o uso do termo “sobresselente”, não se pode considerar incorreta a palavra “sobressalente”, uma vez que se tratam de variantes da mesma palavras. Este facto não é incomum e temos inúmeros casos de duplas grafias aceites que correspondem a variações de pronúncia, por exemplo, ouro e oiro ou costoleta e costeleta.
Não se esqueça, portanto, que estas são as utilizações mais comuns:
 
- Os automóveis devem trazer sempre um pneu sobresselente. (Portugal)
- Os automóveis devem trazer sempre um pneu sobressalente. (Brasil)

Concerto ou conserto?

 Qual a frase correta?

 
a) Na loja de peças auto disseram-me que o meu automóvel já não tinha concerto.
b) Na loja de peças auto disseram-me que o meu automóvel já não tinha conserto.
 
 
Neste caso, a frase correta é a frase b), pois trata-se aqui da reparação de um automóvel. Mas, quando analisamos as palavras "concerto" e "conserto" acabamos por ter de distinguir não duas, mas quatro formas. Vejamos:
 
- concerto (/concérto/) – Forma do verbo concertar no presente do indicativo.
Ex.: Eu concerto as medidas com os meus parceiros.
 
- conserto (/consérto/) – Forma do verbo consertar no presente do indicativo.
Ex.: Eu conserto o relógio.
 
- concerto (/concêrto/) – substantivo/ nome masculino que significa “sessão musical”.
Exemplo: Fui ao concerto dos Clã.
 
- conserto (/consêrto/) – substantivo/ nome masculino sinónimo de “reparação”.
Exemplo: Fiz um conserto no relógio.
 
 

As formas verbais não costumam apresentar grandes problemas, pois o verbo “concertar” é  pouco utilizado. Ainda assim, por vezes encontramos erros relativos ao uso destas palavras homófonas. Para saber mais sobre este assunto pode consultar outro artigo deste blogue: http://emportuguescorrecto.blogs.sapo.pt/24467.html

Já quanto aos nomes, são frequentes os erros que encontramos. No entanto, não há que enganar, se nos recordarmos de alguns exemplos:

- O cantor participou num concerto de solidariedade.

- O sapateiro fez um conserto nos sapatos.

- Ele deu um concerto tão fantástico que o público aplaudiu de pé durante meia hora.

- Essa boneca antiga foi tão maltratada que já não tem conserto.

 

Também pode usar esta dica:

Fazemos um conSerto quando reparemos uma coisa que está eStragada.

Fazemos um “conCerto” quando Cantamos.

 
Imagem daqui; 
http://autos.culturamix.com/blog/wp-content/uploads/2013/09/Os-Carros-Mais-F%C3%A1ceis-e-Dif%C3%ADceis-De-Consertar.jpg

Courgette, courgete ou curgete?

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Anda por aí muita confusão quanto à forma correta de escrever o nome deste legume em português europeu. No Brasil resolveram a questão e chamam-lhe abobrinha. E em Portugal, como devemos escrever?

a) courgette

b) courgete

c) curgete

 

A forma correta é a c). Courgette é a palavra francesa que deu origem à palavra  portuguesa curgete.

Muito versátil, pobre em calorias e rica em fibras, cálcio, fósforo e ferro, pode ser confecionada de várias formas. Pode saber mais sobre este legume aqui.

Acobracia ou acrobacia? Acobrata ou acrobata?

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 Qual é a frase correta?

 

a) Gostava de assistir a um espetáculo de acobracia.

b) Gostava de assistir a um espetáculo de acrobacia.

 

A frase correta é a b). Devemos ler e escrever "acrobacia", tal como devemos ler e escrever "acrobata". As outras formas não passam de erros de pronúncia que têm vindo a tornar-se frequentes.

Não esqueça, portanto:

 

Acobracia                     Acobrata 

Acrobacia                     Acrobata 

 

Imagem tirada daqui.

 

Astigmatismo ou Estigmatismo?

Qual a frase correta?

 

a) Uso óculos porque tenho astigmatismo.

b) Uso óculos porque tenho estigmatismo.

 

 

 

A frase correta é a a).

 

Astigmatismo é uma "perturbação visual devida a irregularidades da curvatura da córnea", que obriga muitas vezes à correção através do uso de óculos, ou a "ausência de estigmatismo".

Estigmatismo é a "propriedade de certos sistema óticos que consiste em dar de um objeto pontual uma imagem também pontual". Ex. O espelho plano apresenta a propriedade do estigmatismo.

 

Assim, dizemos:

 

a) Uso óculos porque tenho astigmatismo.

 

Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa

 

Insolar ou insular?

 

Qual dos seguintes adjetivos tem o sentido de "habitante de uma ilha"?

 

a) insolar

b) insular

 

A  resposta correta é a b). Podemos utilizar o adjetivo "insular" para nos referirmos a "um nativo ou habitante de uma ilha", a algo "relativo a ilha", "um composto de ilhas" ou algo "semelhante a uma ilha".

Insolar significa "expor à ação continuada do sol" e "ficar doente por exposição solar prolongada".

 

  

 

                      insolar                                        insular

Envidar esforços ou endividar esforços?

Foto: Novo desafioQual a forma correta?a) Estou a envidar esforços para terminar o trabalho a tempo.b) Estou a endividar esforços para terminar o trabalho a tempo.

 

Qual a forma correta?

 

a) Estou a envidar esforços para terminar o trabalho a tempo.
b) Estou a endividar esforços para terminar o trabalho a tempo.

 

 

A forma correta é "envidar esforços". O verbo "envidar" significa neste contexto "empregar com empenho" e surge quase sempre associado ao adjetivo "esforços". Já o verbo "endividar" tem o sentido de "obrigar a contrair dívidas".

 

Assim, deve-se dizer:

 

Envidar esforços  e não endividar esforços