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Em Português Correcto

Blog interactivo onde se pretende dar resposta a questões sobre o português falado e/ ou escrito

Dúvidas com o grau superlativo absoluto sintético

- O homem é muito forte; é fortíssimo!
- O café é muito amargo; é amarguíssimo ou amaríssimo?
 
Quando queremos acentuar uma determinada qualidade expressa por um adjectivo, utilizamos o grau superlativo sintético. Geralmente este grau forma-se acrescentando o sufixo –íssimo (não esquecer o acento)ao adjectivo, quando este termina em consoante e retirando-se a vogal final se o adjectivo terminar em vogal:
 
Original – originalíssimo
Triste – tristíssimo
 
Contudo, há adjectivos que sofrem modificações na sua passagem para este grau, adoptando a forma latina primitiva. Assim:
 
- os adjectivos terminados em – vel formam o superlativo em –bílissimo:
 
Ex. amável – amabilíssimo
       Agradável – agradabilíssimo
 
- os adjectivos terminados em –z fazem o superlativo em –císsimo:
 
Ex. capaz – capacíssimo
      Feliz – felicíssimo
 
- os que terminam em vogal nasal (com –m em final de palavra) formam o superlativo em –níssimo:
 
Ex. comum – comuníssimo
 
- os adjectivos terminados em –ão fazem o superlativo em –aníssimo:
 
Ex. pagão – paganíssimo
       São – saníssimo
 
Há ainda outros adjectivos que no grau superlativo absoluto apresentam grandes diferenças em relação ao adjectivo no grau normal:

 
Amargo – amaríssimo
Amigo – amicíssimo
Antigo – antiquíssimo
Cristão – cristianíssimo
Cruel – crudelíssimo
Doce – dulcíssimo ou docíssimo
Fiel – fidelíssimo

 
Geral – generalíssimo
Nobre – nobilíssimo
Pessoal – personalíssimo
Sábio – sapientíssimo
Sagrado – sacratíssimo
Simples – simplicíssimo ou simplíssimo
Soberbo – superbíssimo

Frio - frigidíssimo
Para além destes casos, há adjectivos que formam o grau superlativo em –imo (fácil – facílimo; humilde - humílimo) e –rimo (célebre – celebérrimo; pobre – paupérrimo ou pobríssimo; negro - nigérrimo).
 
A resposta à pergunta inicial é, portanto, amaríssimo, a forma correcta do superlativo absoluto sintético do adjectivo amargo.

Genuidade?

- O quadro foi sujeito a testes para comprovar a sua genuidade.
 
“Genuidade” é uma forma errada. O correcto é “genuinidade”, palavra formada a partir de genuíno.

Outrem ou outrém?

- Eu trabalho por conta de outrém.
 
Erradamente encontra-se, muitas vezes, a palavra “outrem” registada com acento. Tal erro poderá justificar-se pela analogia com “alguém” (que também costuma aparecer incorrectamente escrita sem acento).
Para que não subsistam dúvidas, escreva-se:
 
- alguém                       - outrem
- ninguém

Mandado ou Mandato?

  • A polícia revistou a casa do suspeito em cumprimento de um mandado/ mandato de busca.
 Mandato e mandado são palavras parónimas, isto é, parecidas na escrita e na pronúncia mas diferentes quanto ao significado.
Mandato é um substantivo que significa “autorização”, “poder que alguém confere a outrem para, em seu nome, praticar certos actos”; “procuração “; “delegação”; “ordem”; “sentença ou decreto”.
Mandado, além de adjectivo, pode ser substantivo significando “ordem judicial”: mandado de captura, de prisão, de detenção, de busca, etc.
Assim, dizemos:
 
- A polícia revistou a casa do suspeito em cumprimento de um mandado de busca.
- O Presidente cumpre um segundo mandato eleitoral.
- O juiz mandou emitir um mandado de captura.

Personalisar ou personalizar

Em língua portuguesa as terminações verbais em –isar e –izar suscitam dúvidas. Esta dificuldade é, no entanto, fácil de resolver.
Os verbos terminados em –isar escrevem-se com “s” quando no radical de que deriva o verbo já existe um “s”.
Exemplo:
análise – analisar;
bis – bisar;
catálise – catalisar;
pesquisa – pesquisar.
Como é fácil de perceber, a maioria dos verbos têm a terminação –izar, ou seja, escrevem-se com “z”: personalizar, moralizar, canalizar, eternizar.