Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
- O homem é muito forte; é fortíssimo!
- O café é muito amargo; é amarguíssimo ou amaríssimo?
Quando queremos acentuar uma determinada qualidade expressa por um adjectivo, utilizamos o grau superlativo sintético. Geralmente este grau forma-se acrescentando o sufixo –íssimo (não esquecer o acento)ao adjectivo, quando este termina em consoante e retirando-se a vogal final se o adjectivo terminar em vogal:
Original – originalíssimo
Triste – tristíssimo
Contudo, há adjectivos que sofrem modificações na sua passagem para este grau, adoptando a forma latina primitiva. Assim:
- os adjectivos terminados em – vel formam o superlativo em –bílissimo:
Ex. amável – amabilíssimo
Agradável – agradabilíssimo
- os adjectivos terminados em –z fazem o superlativo em –císsimo:
Ex. capaz – capacíssimo
Feliz – felicíssimo
- os que terminam em vogal nasal (com –m em final de palavra) formam o superlativo em –níssimo:
Ex. comum – comuníssimo
- os adjectivos terminados em –ão fazem o superlativo em –aníssimo:
Ex. pagão – paganíssimo
São – saníssimo
Há ainda outros adjectivos que no grau superlativo absoluto apresentam grandes diferenças em relação ao adjectivo no grau normal:
Amargo – amaríssimo
Amigo – amicíssimo
Antigo – antiquíssimo
Cristão – cristianíssimo
Cruel – crudelíssimo
Doce – dulcíssimo ou docíssimo
Fiel – fidelíssimo
Geral – generalíssimo
Nobre – nobilíssimo
Pessoal – personalíssimo
Sábio – sapientíssimo
Sagrado – sacratíssimo
Simples – simplicíssimo ou simplíssimo
Soberbo – superbíssimo
Frio - frigidíssimo
Para além destes casos, há adjectivos que formam o grau superlativo em –imo (fácil – facílimo; humilde - humílimo) e –rimo (célebre – celebérrimo; pobre – paupérrimo ou pobríssimo; negro - nigérrimo).
A resposta à pergunta inicial é, portanto, amaríssimo, a forma correcta do superlativo absoluto sintético do adjectivo amargo.
- O quadro foi sujeito a testes para comprovar a sua genuidade.
“Genuidade” é uma forma errada. O correcto é “genuinidade”, palavra formada a partir de genuíno.
- Eu trabalho por conta de outrém.
Erradamente encontra-se, muitas vezes, a palavra “outrem” registada com acento. Tal erro poderá justificar-se pela analogia com “alguém” (que também costuma aparecer incorrectamente escrita sem acento).
Para que não subsistam dúvidas, escreva-se:
- alguém - outrem
- ninguém
- A polícia revistou a casa do suspeito em cumprimento de um mandado/ mandato de busca.
Mandato e mandado são palavras parónimas, isto é, parecidas na escrita e na pronúncia mas diferentes quanto ao significado.
Mandato é um substantivo que significa “autorização”, “poder que alguém confere a outrem para, em seu nome, praticar certos actos”; “procuração “; “delegação”; “ordem”; “sentença ou decreto”.
Mandado, além de adjectivo, pode ser substantivo significando “ordem judicial”: mandado de captura, de prisão, de detenção, de busca, etc.
Assim, dizemos:
- A polícia revistou a casa do suspeito em cumprimento de um mandado de busca.
- O Presidente cumpre um segundo mandato eleitoral.
- O juiz mandou emitir um mandado de captura.
Em língua portuguesa as terminações verbais em –isar e –izar suscitam dúvidas. Esta dificuldade é, no entanto, fácil de resolver.
Os verbos terminados em –isar escrevem-se com “s” quando no radical de que deriva o verbo já existe um “s”.
Exemplo:
análise – analisar;
bis – bisar;
catálise – catalisar;
pesquisa – pesquisar.
Como é fácil de perceber, a maioria dos verbos têm a terminação –izar, ou seja, escrevem-se com “z”: personalizar, moralizar, canalizar, eternizar.