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Em Português Correcto

Blog interactivo onde se pretende dar resposta a questões sobre o português falado e/ ou escrito

Ter de ou ter que?

Qual será a forma correcta?
 
a)      Tenho que me ir embora.
b)      Tenho de me ir embora.
 
Escolheu “tenho que”? Pois é, realmente ouve-se tantas vezes este erro que até o tomamos como certo. Mas a frase correcta, neste caso, é a da alínea b). Vejamos porquê:
 
  • Ter que usa-se no sentido de “ter algo para”. Usamos esta expressão quando antes do “que” podemos subentender as palavras “algo”, “coisa” ou “coisas.
  • Ter de serve para exprimir “dever”, “obrigação”, “desejo” ou “necessidade” em relação a alguma coisa. Assim, tomando o exemplo inicial, “tenho de me ir embora” significa que se tem necessidade ou se é obrigado a ir embora.
 
Vejamos mais alguns exemplos:
 
  • Tenho de estudar. = sou obrigado/ tenho necessidade de estudar
Tenho que estudar. = tenho muitas coisas para estudar
 
  • Tenho que comer. = tenho alimentos para comer.
Tenho de comer. = tenho necessidade, ou devo comer.

Formação do plural de palavras compostas – 1

 
1 – Qual o plural de decreto-lei?
 
Quando a palavra é formada por dois nomes com o mesmo estatuto e idêntica contribuição para o significado da palavra, ambos os elementos vão para o plural. Por isso, dizemos:
 
o decreto-lei         -             os decretos-leis
(= o diploma é simultaneamente decreto, porque foi elaborado pelo Governo e uma lei)
 
Caso a palavra seja formada por um nome e outro com valor de determinante específico desse nome, especificando-o, limitando-o ou referindo a sua função só o primeiro elemento vai para o plural.
 
Exemplos:
 
Navio-escola -     Navios-escola
(navio que serve de escola)
Homem-rã    -   Homens-rã
(homem que age como rã, não se trata de uma verdadeira rã)
 
2 – Qual o plural de pé-direito
 
A este termo usado para indicar a altura do pavimento ao tecto, formado por um nome e um adjectivo, aplica-se a regra do exemplo anterior, ou seja, ambos os elementos vão para o plural. 
 
Assim:
 
 Pé-direito            -      pés-direitos
Amor – perfeito   –    amores-perfeitos
Surdo-mudo    -     surdos-mudos

Colocação de pronomes - 2

Em que situações devemos colocar o pronome antes do verbo?

 

Vejamos alguns exemplos de colocação errada do pronome:
 
a) Ele não disse-me nada.
b) Quem disse-te isso?
c) Que tudo corra-te bem!
d) Quando ontem deitei-me, ouvi barulho na rua.
e) Ambos sentiam-se felizes.
 
Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, entre outras situações, devemos colocar o pronome antes do verbo quando:
 
a) nas orações há uma palavra negativa (não, nunca, jamais, ninguém, nada, etc.) e entre ela e o verbo não há vírgula.
 
Assim, devemos dizer e escrever:
 
- Ele não me disse nada.
- Nunca me tinha apercebido disso.
- Ninguém me avisou.
 
b) nas orações iniciadas com pronomes e advérbios interrogativos.
 
- Quem te disse isso?
 
c) nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem desejo.
 
- Que tudo te corra bem!
- Bons olhos o vejam!
 
d) Nas orações subordinadas desenvolvidas.
 
- Quando ontem me deitei, ouvi barulho na rua.
 
e) quando o sujeito da oração, anteposto ao verbo, contém o numeral ambos ou algum dos pronomes indefinidos (todo, tudo, alguém, outro, qualquer, etc.)
 
- Ambos se sentiam felizes.

Colocação de pronomes -1

1 – Qual a forma correcta?
 
a)      Devemo-nos sentar.
b)      Devemos sentar-nos.
c)      Devemos sentarmo-nos.
 
Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, quando se trate de locuções verbais formadas por um verbo auxiliar e um verbo principal no infinitivo ou gerúndio, podemos ligar o pronome átono ao verbo auxiliar ou ao verbo principal. Assim, as formas a) e b) estão correctas.
Já em relação à alínea c) esta não se pode considerar válida porque o infinitivo está flexionado (conjugado) e não devia estar porque o sujeito do verbo auxiliar (dever) é o mesmo e já está subentendido na terminação deste (devemos = nós) pelo que não há necessidade de o voltarmos a repetir.
Assim, podemos dizer:
 
Devemo-nos sentar             e           Devemos sentar-nos
Devemo-nos assoar             e           Devemos assoar-nos
 
Mas não:
 
Devemos sentarmo-nos
Devemos assoarmo-nos
 
Da mesma forma é válido dizer:
 
Vem-me buscar ou vem buscar-me

Calçar ou vestir luvas?

Devemos dizer calçar as luvas. Esta escolha verbal está relacionada com o facto de usarmos o verbo calçar quando queremos dizer que “vestimos” os membros inferiores. Como as mãos também são membros, embora superiores, por analogia empregamos o mesmo verbo. Assim, dizemos:
 
- Calçar os sapatos
- Calçar as meias
- Calçar as luvas

Entretinha ou entretia?

Qual das expressões está correcta?
 
a) Eu entretinha as pessoas.
 
b) Eu entretia as pessoas.
 
Ao contrário do que se costuma ouvir e ler, a forma correcta do verbo entreter é “entretinha”. Este verbo é formado a partir do verbo “ter” e, por isso, segue a sua conjugação. Assim:
 
Eu tinha - Eu entretinha    e não entretia
Tu tinhas – Tu entretinhas e não entretias
Ele tinha – Ele entretinha e não entretia

Aonde ou onde?

Onde = lugar em que/ em que (lugar). Indica permanência, o lugar em que se está ou em que se passa alguma coisa. Complementa verbos que exprimem estado ou permanência e que normalmente pedem a preposição em:


  • Onde estás? – Em casa.

  • Onde mora a Maria?

  • Não entendo onde ele estava com a cabeça quando falou nisso.

  • Não sei onde me apresentar nem a quem me dirigir.


Aonde = a que lugar. É a combinação da preposição a + onde. Indica movimento para algum lugar. Dá ideia de aproximação. É usado com os verbos ir, chegar, retornar e outros que pedem a preposição a. Exemplos:


  • Sabes aonde eles foram? – Ao cinema.

  • A mulher do século 21 sabe muito bem aonde quer chegar.

  • Aonde nos levará esta discussão?

  • Estavam à deriva, sem saber aonde ir.

  • Há lugares no universo aonde não se vai sozinho.

Com ou sem hífen?

A língua portuguesa, como qualquer língua viva, está sempre a evoluir. Enquanto algumas palavras vão caindo em desuso e desaparecem, muitas outras surgem. E este nascimento de novas palavras, muitas vezes formadas a partir de outras, causa-nos dúvidas na escrita.
A colocação ou não de hífen é um dos problemas que nos surgem com frequência. Esta dificuldade pode ser atenuada se conhecermos algumas regras.
 
1.      Auto-estrada ou autoestrada? Infra-estrutura ou infraestrutura?
 
O prefixo auto exige hífen quando o segundo elemento é independente (uma palavra com significado próprio) e começa por uma vogal, h, r ou s. Assim, escrevemos auto-estrada, mas escrevemos autobiografia. A mesma regra aplica-se a outras palavras formadas com os elementos gregos: “contra”, “extra”, “hetero”, “infra”, “neo”, “proto”, “pseudo”, “supra” e “ultra”. Por isso, enquanto o Acordo Ortográfico de 1990 não entrar em vigor, devemos escrever:
 
  • Hetero-avaliação 
  • Neo-republicano
  • Infra-estrutura
  • Supra-renal
 
Mas:
 
  • Neologismo
  • Pseudónimo
  • Supranumerário
 
2. Mal-criado ou malcriado?
 
O prefixo “mal”só se separa se o segundo elemento começar por vogal ou h.
Portanto, escreve-se malcriado, mas mal-educado.
A mesma regra aplica-se com o prefixo “pan”, como por exemplo em pan-helénico.
 
3. Superhomem ou super-homem?
 
Com “hiper”, “inter” e “super” aplica-se hífen antes de h ou r como em super-homem, inter-regional ou hiper-ridículo.
 
4. Sub-urbano ou suburbano?
 
Palavras formadas com “sob” ou “sub” têm hífen antes de b, h ou r. Daí que se escreva suburbano, mas sub-reino e sob-roda.
 

“Penso eu de que…” e outros problemas de regência com verbos

 

A expressão “penso eu de que” proferida pelo Bimbo da Costa, um dos bonecos do Contra-Informação”, serviu para caricaturar uma tendência para o uso errado da expressão “de que”. O verbo pensar não exige a preposição “de”, porque não pensamos “de alguma coisa”, pensamos em alguma coisa, logo, “pensamos que”.

 

Já outros verbos, em determinados contextos, requerem o uso da preposição de. Vejam-se alguns exemplos:

 

 a) Ele informou-o de que iria chegar tarde.

b) Ele informou que iria chegar tarde.

 

 Quando o complemento indirecto (a pessoa a quem damos a informação) se encontra expresso, o verbo deve vir seguido da preposição “de”. Assim, quando se informa alguém acerca de alguma coisa = informar de que. Quando não se indica a pessoa a quem se destina a informação, não se utiliza a preposição “de”, conforme se verifica em b).

 

c) Ele certificou-se de que tudo estava preparado para a reunião.

 d) Ele certificou que ele tinha estado presente na reunião.

 

Quem se certifica, certifica-se de alguma coisa. Por isso com a forma reflexa do verbo certificar, devemos utilizar a preposição de. Já quando se usa o verbo certificar, com o sentido passar uma certidão ou de atestar, não é necessária a preposição.

Assim, a expressão “de que” aplica-se quando podemos aplicar ao verbo a expressão “de alguma coisa”, como em:

 

• Ele assegurou-se de que estava tudo bem fechado.

 • Ele convenceu-se de que tinha razão.

• Ele apercebeu-se de que estava enganado.

 • Ele lembrou-se de que tinha deixado o forno ligado.

 

Não se deve usar a preposição “de” com os verbos: afirmar, anunciar, comunicar, confessar, declarar, dizer, expor, manifestar, noticiar, ordenar, pretextar, proferir, publicitar, saber.

Portanto:

 - Ele declarou que ia embora.                -Ele declarou de que ia embora.

 - Ele informou o pai de que ia embora.   - Ele informou o pai que ia embora.